“Eu moro no mundo, sou eu quem faço a minha casa. E casa pra mim é tudo aquilo que me acolhe, tendo teto ou não. Eu moro nas pessoas, no tempo… Se fixar num bocado de tijolo e cimento foi a pior ideia que o homem já teve.”

Do sorriso largo e mochila nas costas, Edd, de 31 anos, vem ganhando o mundo, cultivando histórias e momentos. Segundo ele, a felicidade está na estrada. “Uns chamam de mochileiro, outros de viajante… Eu não me preocupo com nomes, é só a minha vida. A diferença é que eu não tenho endereço e nem comprovante de renda. Eu vivo um dia após o outro. Se hoje eu não arranjar um lugar pra dormir, amanhã eu vou arranjar, se agora chover, uma hora o sol vai ter que abrir. O erro das pessoas está em nadar contra a maré, querer aquilo que não tem e passar o domingo vendo aquele programa do Faustão, achando que a vida vai durar pra sempre.”

Nascido em Brasília, Edd nunca conheceu os pais biológicos, cresceu em um orfanato no entorno da cidade. “Eu via aquelas crianças sonhando em ter uma casa, uma família, e só o que ganhavam era frustração atrás de frustração. É só isso que o homem ganha em querer andar nos padrões. Eu dei um jeito logo de fugir dalí e fui começar minha vida. Já fui entregador, garçom, servente, já fiz de tudo. Até que eu percebi, que essa vida não era pra mim, não era eu.” E foi assim que a vida de aventuras começou, quando Edd decidiu que não seria só mais um refém das circunstâncias.

“Olha, o erro do mundo é achar que todas as pessoas são más, que não existe amor em canto nenhum. Eu não tenho ninguém bancando as minhas viagens, e já estive em três continentes diferentes. E vou assim, só com essa mochila nas costas. As pessoas se gabam por ter seus amigos do bairro, da cidade… Eu não, eu tenho amigos no mundo inteiro. Gente boa, do coração bom. Pra você ver que a bondade existe em todo canto do mundo e fala todas as línguas, a gente é que não sabe procurar direito.” Edd leva em sua mochila roupas, comida, livros e a esperança de ver os homens livres de si mesmos, de ver sonhadores evoluírem para conquistadores de sonhos. Sonha com o dia em que memórias e histórias serão mais importantes que mansões, com o dia em que a nossa casa será o mundo inteiro.

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Astronauta frustrada que seguiu no jornalismo. Sempre acreditei no Snape.

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