O batom nos lábios e uma leve sombra nos olhos contornam e embelezam a vaidosa motorista Vanezia Moura. Aos 41 anos, ela junto com outras 3 motoristas o quadro de condutoras da Metrobus, empresa que gerencia a operação de veículos no Eixo Anhanguera, o corredor exclusivo de ônibus mais extenso da Região Metropolitana de Goiânia. Um número irrisório perto dos quase 400 motoristas da empresa. Sua família se orgulha da profissão que exerce. A filha, Débora de Araújo conta toda orgulhosa para os amigos sobre a profissão da mãe. “Minha mãe dirige os eixões”, exclama alegre.

Superando o preconceito
Sua vida começou a mudar algum tempo depois quando começou a trabalhar com vendas. No entanto, Vanezia demonstrava uma atitude na contramão do era ensinada e queria conduzir grandes veículos. “Eu sempre olhava para os ônibus e falava que um dia dirigiria”, cravava. “Sempre gostei de dirigir outros veículos e já tinha categoria D. Acabou que as coisas deram certo”, rememora.

Há aproximadamente 3 anos fez um teste em uma empresa de transportes e, com sucesso, passou. Ali começava sua trajetória, num ambiente pouco convencional para mulheres. Sofreu preconceito por parte de colegas de trabalho. “Quando eu fiz meu primeiro teste para trabalhar dirigindo um Eixão, um conhecido que também é motorista de ônibus me falou que eu jamais conseguiria dirigir um veículo desses. Consegui passar e ele foi reprovado”, lembra-se.

Aproximadamente 220 mil pessoas passam pelo Eixo Anhanguera diariamente, ao longo dos seus 70km de extensão, contando as linhas que levam a Goianira, Senador Canedo e Trindade. Uma responsabilidade grande conduzir aproximadamente 200 passageiros por veículo, em horários de pico. Mas esse cenário não intimida Vanezia. “No começo eu ficava muito apreensiva. Mas gosto do que eu faço e isso faz toda a diferença” comenta.

Em fevereiro de 2016, pisou na Metrobus pela primeira vez. Conseguiu sua vaga. “Desde a época de Transurb eu olhava para os carros e pensava em um dia trabalhar dirigindo um Eixão. Sobre mulher e direção? “A mulher é tão capaz quanto o homem. Na realidade, somos até mais cautelosas. Ao longo do trajeto as pessoas que usam o transporte fazem elogios e eu não vejo nenhuma diferença entre a direção das minhas colegas para de outros profissionais homens”, crava.

(Vanézia Moura superou preconceitos e hoje conduz todos os dias os ônibus do Eixo Anhanguera. Foto: Domingos Ketelbey)

23 anos de amor
Sua filha Débora veio a vida de Vanezia há 23 anos. Um presente em momento de caos que vivia a condutora. “Me separei logo depois e fiquei numa situação financeira muito ruim”, relembra a condutora que por um tempo trabalhou como doméstica e fazia bicos costurando e vendendo forros para estante. “Tive de ser pai e mãe para criar minha filha”, conta emocionada.

Apesar das dificuldades enfrentadas, a condutora esboça um amor sobrenatural por sua filha. “A maior alegria é tê-la em minha vida. Ela é muito especial”, diz com lágrimas nos olhos. “A cada gesto dela ainda bebê, um sorriso, ela sorria muito! Quando ela sorria para mim era uma forma de expressar o amor. Poucos detalhes, sabe? Aquele amor crescia a cada dia. Cresce até hoje. É impressionante”, conta relembrando o crescimento de Débora.

“Porta de igualdade”
A gerente de marketing Julia Martins tem 24 anos e usa o transporte coletivo goianiense há 3 anos e fica feliz quando vê uma mulher em uma profissão predominada por homens, conduzir um veículo. “Vejo como uma porta de igualdade. Não vemos mulheres em profissões que são ligadas ao meio culturalmente masculino. Dessa forma talvez o que não era comum se torne normal”, afirma.

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