“Eu procurei uma maneira alternativa de sobreviver, uma forma digna que não se submetesse aos padrões do sistema. Trabalho na Feira Hippie de Ipanema desde 1972, ano que vim pra cá e nunca mais saí.”

Fred Araújo tem 67 anos e muitas histórias pra contar – seus cabelos brancos e sua pele enrugada enfatizam isso. Gosta de filmar as pessoas que passam ali. A câmera exposta o tempo todo sobre sua barraca mostra isso. “Faço jornalismo independente. Vou nas comunidades, gravo algumas coisas e mantenho um projeto de Web TV. Aqui na feira mesmo, já fiz muita coisa envolvendo as pessoas. Olha minha câmera aí.”

Pra manter o projeto, Fred vende camisetas com estampas desenhadas por ele. É um artista. “Sou meio psicodélico. As vezes sonho, faço, e se der certo a venda eu mantenho a estampa. Não tem uma lógica específica.” Fred ama estar ali. Faz questão de ressaltar a divulgação da Feira Hippie e os seus objetivos quando foi inaugurada, quase 50 anos atrás. “Essa feira surgiu como forma de questionamento do sistema, inclusive contra a sociedade de consumo, levando o contexto da época. Aquele consumismo desenfreado. É irônico isso porque hoje estamos fazendo comércio que estimula tudo isso não é?”

Talentoso no que faz, Fred não resume sua arte as pinturas e notícias. Fred é músico e já teve uma canção proibida na época da ditadura. “Incomodei os militares, cara” comenta rindo. “Fiz uma música chamada “Mecanicamente” que falava sobre a influencia norte-americana que crescia muito na época. E eu questionava: ‘sou brasileiro pô!’ como eu tinha uma visão poética, decidi musicar isso, e a galera da censura não gostou. Isso foi em 68 pra 69, durante o período do AI-5.”

Fred expõe suas imaginações. Vende suas fantasias. Orgulha-se em viver uma vida de muitas histórias e alegrias, apesar de poucos bens. “Não tenho casa e nem muitos bens. Mas sou feliz com a minha história e o que tenho.”

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