“Fui criado em Bebedouro, interior de São Paulo, montando em touro bravo, mano”. Luiz Fernando prestes há completar 47 anos fez sua infância e adolescência na roça, em uma cidade que hoje possui quase 80 mil habitantes. Próximo a Barretos, viu vários rodeios e, corajoso, não deixou escapar as oportunidades que apareciam. “Eu nunca ganhei nada, nem carro, nem moto, mas montei em touro muitas vezes”, relembra sua diversão.

Em Bebedouro, namorou, noivou e casou. Tornou-se papiloscopista. A vida parecia realizada. De uma família com boas condições financeiras, ninguém imaginava que um dia, seria encontrado nas ruas do centro de Goiânia, sujo e olhando carros para conseguir alguns poucos trocados. Fernando entrou para a estatística do alcoolismo. Em Bebedouro, sua esposa o largou porque não conseguia abandonar o vício. “Aí vim pra Goiânia, mano, sem família. Sem ninguém.”, rememora.

Há 14 anos, Luiz Fernando trocava o interior de São Paulo, pelo Cerrado Goiano em busca de um recomeço. Nunca mais voltaria a cidade de onde veio. Também jamais conseguiria largar o álcool. “Aqui conheci minha última mulher. Ela tentou me internar quatro vezes”, conta frustrado. O homem que montava em touros selvagens não consegue domar o álcool. “Os remédios que me davam, era muita droga, mano. Eu preferia beber do que aguentar tanta droga no tratamento”, conta.

Novamente, foi derrubado. O relacionamento que construiu em Goiânia acabou. “Faz duas semanas que eu tô na rua. Minha mulher até trocou a fechadura da casa. Não quer que eu volte. Já era mano…” Do último casamento fica a saudade. “Minha enteada tem uma filha. Trato como minha netinha…” diz com olhos cheios de lágrimas, tomando um último gole do seu ‘carrotinho’ de cachaça. O choro do desespero e da desilusão de não ter nada. “Eu quero minha família de volta. Mais nada. Sou um cara de boa, mano. Não uso droga, não bato em mulher, não tenho homicídio, nada. Me sinto frustrado, cara.”

A frustração do álcool é de viver no cinza da cidade. Do homem que ficava 8 segundos em cima de um boi. Da tragédia, de ter apenas a solidão como companhia. Do nada que o vazio da cachaça o levou. No rodeio da vida de Luiz Fernando, o álcool o derrubou. Ele caiu e não consegue mais se levantar.

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