Um homem feito de ausências. Os dois olhos negros convidavam para o breu. Um escuro que nada se vê. Nada se ouve. “Qual é o seu nome?”. Ali, parados, o pretume dos olhos só saia do irresoluto para devorar, famintos, um pacote de biscoitos.

“Deixa eu abrir pra você?!”. A fome do olhar passou para as mãos. As mãos alimentaram a boca com hálito insuportável de cachaça. A boca? Essa continuava em silêncio. Exceto pelo grunhido de uma ou duas cusparadas no chão.

Os cabelos grisalhos e os pés imundos exalavam o cheiro forte da pouquidade, da falta… A privação. Em meio ao breu dos olhos negros, as pernas cruzadas pareciam inquietas.

Por fim, a voz que traduzia silêncios, transmitiu seu primeiro e único som: “Meu nome é Valdivino”. De longe, se soube que aquelas palavras já eram muito. Muito porque, no fim, luzes negras são como faróis.

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